sábado, 14 de junho de 2008

DAS DEFINIÇÕES

Dois mestres indianos e um grafitti definem o amor:
Osho: “Dar amor é a experiência real - no próprio sentido da palavra, porque você se comporta como um imperador. Implorar amor é uma experiência de mendigo. Não aja como um mendigo; seja sempre um imperador”.
Nisargadatta Maharaj: “o sofrimento vem do desejo. E o sentimento de unidade nunca pode ser frustrado, o que se frustra é o desejo de reconhecimento. Como todas as coisas puramente mentais, este desejo é uma armadilha”.
Escrito num muro em Buenos Aires (e anotado por Fabiana Riboldi): “Se amas alguém, deixa-o em liberdade. Se ele voltar, foi porque precisou. Se ele não voltar, foi porque precisou”.

‘Paulo Coelho’

DAS BÊNÇÃOS

Duas coisas não podem ocupar o mesmo lugar ao mesmo tempo.
Num espaço ocupado pela amargura e pelo medo, as bênçãos não conseguem entrar. Mesmo que elas batam na porta, e mostrem a luz que carregam com elas, a porta não se abre.
A alma precisa estar limpa, para que as bênçãos se manifestem.
Por isso é preciso lavar a alma com esperança. Neste processo, nós nos lembraremos de velhas tristezas, e sofreremos de novo a mesma coisa - mas sabemos que as bênçãos estão chegando.
E um dos principais poderes das bênçãos é a capacidade de curar a dor.
Uma alma limpa é aquela que, apesar de tudo, não está conformada com a situação atual. Uma alma limpa é uma alma corajosa, que - mesmo lutando contra as trevas, deseja encontrar a luz.

‘Paulo Coelho’

DA CAVALARIA

“Receba aquele que o procura, e não corra atrás de quem o rejeita. Desta maneira, você estará criando um laço de harmonia com o seu semelhante”.
“Um noviço não deve ser expulso por causa de suas faltas. Quando alguém está fazendo um esforço para melhorar, isto deve ser apreciado e honrado por todos”.
“Um estranho não deve ser aceito por causa de suas qualidades. Quando vemos alguém muito ansioso para mostrar como é bom e compreensivo, precisamos testá-lo com severidade. Porque ele busca aplauso para seus gestos, e pode ter perdido a humildade”.
“Vá sempre além das aparências. Escute. Veja. E confie em suas impressões”.

‘Paulo Coelho’

DA ALMA

“A minha alma crescerá sempre, mas mesmo assim,
nunca chegará até um lugar
onde não poderei segui-la.
Quando acordo de noite, e caminho pela praia,
quando olho para cima e contemplo a infinidade de estrelas,
pergunto ‘a minha alma:
‘quando eu morrer, e você estiver lá, e puder conter todo este Universo, estará satisfeita?’
E minha alma responde:
‘quando eu chegar lá, saberei que posso crescer ainda mais’”

Do livro de notas de Walt Whitman (1819-1892)

AMIGOS LOUCOS E SÉRIOS

Meus amigos são todos assim: metade loucura, outra metade santidade. Escolho-os não pela pele, mas pela pupila, que tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante. Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo.
Deles não quero resposta, quero meu avesso.
Que me tragam dúvidas e angustias e agüentem o que há de pior em mim. Para isso, só sendo louco. Louco que senta e espera a chegada da lua cheia. Quero-os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças.
Escolho meus amigos pela cara lavada e pela alma exposta. Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto. Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade. No quero risos previsíveis, nem choros piedosos.
Pena, não tenho nem de mim mesmo, e risada, só ofereço ao acaso.
Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia no desapareça. Não quero amigos adultos, nem chatos. Quero-os metade infância e outra metade velhice.
Crianças, para que no esqueçam o valor do vento no rosto e velhos, para que nunca tenham pressa.
Tenho amigos para saber quem eu sou, pois vendo-os loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que a normalidade é uma ilusão imbecil e estéril.

‘Marcos Lara Resende’

terça-feira, 10 de junho de 2008

ROSA: A MEMÓRIA EM CARTAS

O corrente ano de 2008 é rico, em prosa e verso, com datas e efemérides que fizeram e/ou fazem a história, aqui e alhures.
Assim, por exemplo, há duzentos anos, fugindo das botas do poder de Napoleão Bonaparte, a família real deixa Portugal, optando por viver no Brasil.
Depois, há exatos cem anos, morria Joaquim Maria Machado de Assis, a pena mágica do romance brasileiro.
Igualmente, em 1908, isto é, há um século, nascia em Minas Gerais, Brasil, o diplomata e escritor João Guimarães da Rosa, o revolucionário e moderníssimo autor de “Grande Sertão e Veredas”, marco de um novo tempo na lingüística nacional brasileira.
Por outro lado, no Velho Mundo, em 1968, quarenta anos atrás, a rança tremia ante o movimento estudantil, que pregava, entre valores, o respeito à legenda de que “é proibido proibir”.
Ainda no tumultuado ano de 1968, tropas russas invadiram Praga, e, no Brasil, o AI-5 podava o Judiciário, fechava o legislativo e amordaçava a democracia.
Hoje, porém, cicatrizadas as feridas institucionais, as letras brasileiras registram cartas inéditas de Guimarães Rosa, dirigidas a Mário Calábria, igualmente diplomata, e colega de oficio no Itamaraty.
Os textos – é obvio – espelham o talento, a imaginação criadora e o processo de antenada identificação de Guimarães com a sociedade a cultura, os costumes e a vida do Brasil.
As cartas, hoje, nas mãos do poeta Alexei Bueno, são testemunhos que precisam de uma mais rápida divulgação.
Conforme redenhou respeitável órgão de mídia nacional brasileira, em uma das suas missivas, o autor de “Sagarana” observa: “Com a idade, meu caro, a gente vê que esta vida é vertiginosa. Como abarcá-la, de forma disciplinada, ou mesmo apenas plausível? Recorro a Platão, a Plotino. Você ainda não me compreendeu”.
Para concluir: “O importante não é o além, intrínseco (...) mas para fins de permitir à gente acentuar um pouco isto aqui. E você mesmo, prepare-se. Ao beirar os 50, você está seguramente sacudido”.
Aliás, pela boca de Riobaldo Tartarana, o caboclo-narrador de “Grande Sertão e Veredas”, ele filosofava: “Eu de quase nada sei,mas desconfio de muita coisa”.

‘Paulo Gadelha’

NAMORAR OU FICAR?

As relações entre namorar e ficar revelam a complexidade da condição humana, são vivências de situações e diferentes significados. A atração entre pessoas obedece a certos princípios e responde a questões chave na individualidade de cada pessoa, outrora se ouvia falar em flerte, namoro, noivado e casamento. Atualmente, ficar é um comportamento muito adotado, onde o que vale é o aqui e o agora, o prazer imediato, sem vínculos, é como se pode dizer, uma fase exploratória, de experimentação.
Ficar é um momento vivido, onde a atração e a repulsão costumam promover reações físicas momentâneas, sem compromisso, onde os motivos são os mais diversos, como por exemplo: a curiosidade, um estágio para quem esta começando a sexualidade, uma competição para ver quem fica com mais pessoas, uma sensação de poder fazer um serie de conquistas ou fazer parte do grupo dos “ficantes”, é uma troca de carinhos por um período curto, sem compromisso de namoro, sem o compromisso do dia seguinte.
O namoro é uma aliança entre pessoas que querem se conhecer melhor, em torno de vivencias peculiares a cada ser humano, é um momento relevante na vida de cada pessoa, onde as escolhas são mais profundas, onde a afetividade aparece com mais desenvoltura, é um momento de experimentação, de treino que o adolescente passa entre a fase da infância, quando recebe passivamente o afeto, e a fase adulta, de envolvimento afetivo-sexual, é o momento em que se promete tudo, mas não se dá nada.
Hoje em dia, esse aspecto constitui uma tarefa difícil para os pais e educadores, porque é chegado o momento de pontuar a autoridade e as decisões tomadas em relação ao educando, é chegada a hora das grandes paixões, frágeis e inconstantes, é o momento de substituir o amor “espiritual” de pai e mãe, avô, avó, etc, pelo amor de desejos proibidos, capaz de criar o risco do descontrole.
Nesse momento é importante os pais mostrarem que os seus filhos merecem um investimento, que existe uma sintonia entre o que eles pensam e agem e a; beleza, a sensibilidade, a fantasia que os jovens alimentam secretamente. É chegado o momento de abrir o diálogo, estimular perguntas e conversar sobre todos os temas, aproveitando inclusive os debates polêmicos dos programas de TV, saber ouvir assumir a sua condição de ser humano que não sabe tudo mais que vai procurar o melhor momento para deixar aberto o canal da comunicação.
A paixão experimentada pelos adolescentes nessa fase produz energia e entusiasmo pela vida, contribuindo, inclusive, para a formação da personalidade. A possibilidade de dar e receber amor alimenta a; auto-estima, conduzindo os jovens ao equilíbrio emocional. É preciso ficar claro que namorar ou ficar representa a primeira fase do “outro”, onde a libido é reinvestida em objetos externos, supostamente capazes de corresponder às realizações criadas pelo seu imaginário; onde ele se sente capaz de amar, com suas reações individuais, de reagir aos estímulos sofridos nessa fase, de querer interpretar as atitudes dos pais, passando então, a elaborar as suas perdas nesses relacionamentos.

‘Ionara Dantas e Gilvando Estevam’