quarta-feira, 26 de março de 2008

Desde a hora da infância eu não fui Como outros foram - eu não vi Como outros viram – não pude tomar Minhas paixões duma primavera vulgar. Da mesma nascente eu não traguei A minha tristeza; eu não despertei Para o júbilo comum o meu coração; E tudo o que amei, eu amei em solidão. Nesse tempo da infância – na madrugada Da vida mais tormentosa – foi traçada Das profundezas do bem e do mal O mistério que me mantém sem igual: Da torrente ou da fonte, Do rubro penhasco do alto monte, Do sol que gira em meu torno Num matiz dourado de Outono – Do relâmpago no céu Que tão perto de mim se deu – Da tempestade e do trovão, E da nuvem que adquiriu a feição (Quando azul era o resto dos Céus) De um demónio aos olhos meus.

Edgar Allan Pöe, trad. Henrique Fialho

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